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Mais um caixote para atirar para lá a tralha que anda para aqui perdida.
A senhora à minha frente na caixa perguntou se eu queria os pontos dela. Eu agradeci e disse que não, que já não tinha tempo de colecionar suficientes para comprar outro legume. A senhora então disse que tinha muitos pontos no carro. Saiu com as suas compras e voltou com um montinho de papelinhos dourados, que foi contando até perfazer 15, o número de pontos necessários para outro legume.
A Gr. estava delirante e eu também, porque tenho, vezes de mais, a impressão de que a humanidade está perdida para a falta de civismo e de empatia, de simpatia, mas depois há assim uns raios de sol (não que sejam raios de sol capazes de mudar o mundo, mas vá, capazes de me fazer acordar com algum otimismo).
Eu era o Dumbledore, num sofrimento excruciante, a despejar a bacia daquela poção amaldiçoada, para chegar ao horcrux.
Eu era o Dumbledore a engolir aquela mistela, só que a mistela não era uma poção amaldiçoada e objetivo não era encontrar o horcrux.
Fui bebendo litro atrás de litro e colocando a possibilidade de não fazer exames nenhuns, afinal eu não tinha nada, quase de certeza, para que é que eu estava a sujeitar-me àquilo, já chega, por favor, mais não, mas isto cresce no copo em vez de diminuir, juro que há bocado parecia menos, isto cresceu, mas e se tenho uma pocaria qualquer a crescer-me aqui no corpo e depois não sei, bebe mais, anda, um bocado mais, já chega.
E bebi quase tudo, juro, no último litro vomitei, se fosse o Dumbledore, coitado, lá se ia o horcrux, lá se ia a possibilidade de destruir o Voldemort, mas eu não sou o Dumbledore e bebi quase tudo e fui fazer o exame na mesma. E não tenho nada, ainda bem.
Sou pessoa ansiosa, nervosa, com tendência para alguma dramatização, respiro e inspiro muito com o único resultado de ficar com excesso de ar nos pulmões, e, às vezes, tonta de tanta oxigenação cerebral.
Ando sempre a correr, com medo de chegar atrasada a todo o lado, ainda que seja só ali ao virar da esquina.
Começo as manhãs a correr e acabo os dias a correr. Contagio quem está à minha volta e todos os anos, ao virar dos aniversários, e dos anos letivos e das passagens de ano, prometo que vou correr menos, que vou correr menos, mas quando dou por mim, cinco segundos depois, já estou a correr, se não com as pernas, com o cérebro. E contagio toda a gente em meu redor. Marido e filhas, a toque de caixa, gata a toque de caixa, tudo a toque de caixa. E ando cansada, mesmo com horário de trabalho pequenino, dou por mim a desejar, todos os dias, a hora em que me vou deitar. E essa hora tem chegado cada vez mais cedo. Lá pelas 22.30 os lençóis já me cheiram o cabelo e sentem os pés frios.
Mas, devagar, devagarinho, as inspirações oxigenantes, os dedos em posição de ohmmmmm, vão-me levando a alguma acalmia.
Já não corro todas as manhãs, só algumas, e já sou capaz de sorrir perante a lesmice das minhas filhas, sou até capaz de não ficar zangada e dizer até logo meu amor com um sorriso verdadeiro e não de alguém que passou a última hora a berrar, porque de facto, berrei menos.
Devagar, vou correndo menos. Pode ser que lá para os oitenta deixe mesmo de correr.
É fácil comprar prendas que me façam felizes, fácil e barato.
Livros: gostava de ler Djaimilia, os dois mais recentes; os baby blues e podem começar a investir também nos Zits. Os últimos do José Luis Peixoto, da Zadie Smith...
Música: gostava de ouvir o novo do Samuel Uria, o novo da Márcia...
Cenas para a casa: copos bonitos.
Nesta "casa", os textos dedicados à pediculose são diariamente os best sellers.
O fenómeno deixa-me satisfeita, porque é sinal de que não é só nesta casa, agora sem aspas, que os piolhos são uma constante.
Não é normal ter sempre piolhos, mas parece comum nos tempos que correm, em muitas cabeças de pequenos e graúdos.
Basta ficar uma (desculpem lá o palavreado grosso e feio) cabra de uma lênda escondidinha num fiozinho de cabelo para o cabelo estar sempre em festa.
Os piolhos cá em casa deviam pagar IMI.
Também corre o boato de que têm anúncios, no AirBnB, da cabeça da mais velha.
São poucos os períodos em que a "casa" está livre. Deve ter uma boa cotação no mercado imobiliário dos piolhos.
Brincadeiras de lado agora, ando sempre com os meus nervos à flor da pele à conta da pediculose e cheguei a duas conclusões:
primeira - as limpezas periódicas que faço para matar e erradicar os (desculpem mais uma vez o palavreado feio) cabrões são mal feitas!
segunda - os cabrões já ganharam resistência ao paranix, porque não morrem com duas aplicações.
Portanto, não se fiem nos supostos 100% de eficácia garantida e verifiquem a cabeça de toda a gente TODOS os dias até não haver nem uma lendêa. Neste departamento, o sinalizador da Paranix é um aliado. Tinge-as de vermelho e vêmo-las mais facilmente.
Assim se percebe que haja cabeças que, aparentemente, estão SEMPRE cheias de piolhos. Poucas são as famílias que dispõem do tempo e disponibilidade para verificar intensa e extensivamente, as cabeças lá de casa todos os dias. Se a isto juntarmos a necessidade de mudar lençóis e almofadas e toalhas até a praga desaparecer...
A minha teoria é que se não houvesse telemóveis nas escolas, os piolhos tinham menos hipóteses de andar a passear de cabeça em cabeça. Pensem nisso e tirem os telemóveis aos vossos filhos.
A cabeça das minhas filhas agradece e a minha carteira também.

Aguenta aí um bocado.
Fui só eu que dei um salto na cadeira quando pequenos morcegos desataram a voar pelo ecrã?
O que há para adorar nesta estação, tirando as castanhas?
Nada! Nada!
Acho que tínhamos de viver lá, naquela realidade, lá, para percebermos porque é que mais de metade da população votou num indivíduo que representa e afirma à boca cheia tudo aquilo que há de mais desprezível no ser humano.
Provavelmente é isso, teríamos de lá estar... e lá viver...
Ou já ter lá estado e vivido e nascido, pois se até quem está cá, em Portugal, votou nele...
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