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ensinar a resiliência ou torturar

por blogdocaixote, em 12.04.18

A propósito deste texto da Maribel, volto a pensar numa questão que me vem à cabeça muitas vezes quando se trata da minha miúda mais velha: quando é que insistirmos com os miúdos para fazerem alguma coisa que eles não querem ou acham que não conseguem deixa de ser trabalhar a resiliência e passa a ser pura tortura?

No caso da Mr., estes cinco anos de escola ensinaram-me que se ela não está para lá virada, insistir para que o faça só dá discussão, asneiras e muitos cabelos brancos (a mim). Assim, se ela não está para lá virada, obrigá-la a estudar matemática, por exemplo, é puro desgaste emocional para ambas, idem para o trompete e tudo o resto.

Todos os dias são dias de batalha campal e esta mãe fica sem saber o que fazer, sabendo que na vida não podemos só fazer aquilo que nos apetece, quando nos apetece. É a difícil e constante busca pelo equilíbrio. 

O pai tem a habilidade de levar a água dele com mais frequência ao moinho, mas eu desisto mais facilmente.

Se calhar, a culpa é da minha mãe, que não me ensinou a ser resiliente, porque já sabemos, a culpa é sempre das mães! 

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publicado às 11:21


10 comentários

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De Fatia Mor a 12.04.2018 às 12:10

Ainda não fui ler o texto da Maribel mas eu tenho a mesma questão que tu e sei que se avizinham tempos mais complicados para mim, com a entrada da Fatia#1 para o 1º ano em setembro.
Dou por mim a pensar, várias vezes, se estou apenas num acto de teimosia inglório ou se estou, de facto, a educá-la na resiliência. O que eu observo é que, quando ela não quer fazer alguma coisa, a medição de forças é inesgotável. Até hoje, e acusando um ar muito mais cansado do que tinha há uns anos, tento levar a minha água ao moinho. Tento todas as estratégias dos livros da psicologia da educação, mais aquelas que vou descobrindo por mim, até aquelas que sei que são não recomendáveis (como comprá-la com alguma coisa). Tudo depende da importância da situação, da sua emergência e da minha capacidade de resiliar perante a teimosia dela!
Nestas coisas, acho que não há certo, nem errado. Desistirmos pode ser um acto de auto-preservação, bem como de preservação da relação. Continuarmos a desgastarmo-nos pode ser uma acção necessária, bem como um gasto de energia que não conduz a nada de bom.
A verdade é que a vida, mais tarde ou mais cedo, também os ensina. Eu aprendi muitas coisas sozinha, que a minha família talvez não tenha tido a habilidade para me ensinar. E acho o nosso sentido de protecção (e no meu caso, o medo do julgamento alheio), fazem com que tentemos ensinar-lhes tudo e moldá-las a tudo. Não vamos conseguir. Somos os primeiros pontos de atrito. Mas a vida será uma escola muito mais profícua em determinados aspectos. Cada vez mais penso que o ideal é ensinar-lhes a discernir, a pensarem nos outros como neles próprios e o resto, espero eu, vem por arrasto. Ou a vida ensina.

(não sei se fiz sentido... estas coisas não são simples de pôr por escrito e sei que algumas coisas podem ser mal entendidas...)
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De blogdocaixote a 19.04.2018 às 14:14

No fundo, bastará estarmos "aqui"? analisamo-nos e a eles excessivamente, julgamo-nos e a eles (filhos) pelos olhos dos outros e afinal só precisamos de estar presentes aos olhos deles... será isso?
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De Maribel Maia a 12.04.2018 às 13:42

Deixem-me meter, de 'novo a colher', o que me parece, pelo que relata é sobre o estudo, especificamente... Muitas vezes os pais têm dificuldade em apoiar o estudo dos filhos... E, pela minha experiência, também os filhos perdem facilmente a paciência ao ensinar os pais, (falamos de educação de adultos!)
Assim, penso que, ensinar crianças a serem resilientes é muito mais que isso... E era isso que eu queria deixar no meu post!
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De blogdocaixote a 19.04.2018 às 14:16

Maribel, a partir do momento em que entram na escola, a dedicação (ou falta dela) à escola passa a ser a bitola para quase tudo o resto, é a escola que está quase sempre no centro, para o melhor e para o pior.
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De paterfamilias a 12.04.2018 às 17:38

Não percebo nada de "resiliências". Sei, no entanto, que há coisas que só se aprendem se não forem ensinadas, sua "resiliente"!
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De blogdocaixote a 19.04.2018 às 14:11

Mas e se não percebermos que havia alguma coisa para aprender e deixamos passar a oportunidade? quem ajuda? quem explica?
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De Anónimo a 13.04.2018 às 12:50

Como não tenho filhos, só posso falar sobre a minha própria experiência de "filha"... Recordo-me que havia muita coisa da qual eu queria desistir e os meus pais, sobretudo a minha mãe, insistia para que eu continuasse... Hoje, quando olho para trás, valorizo essas experiências, que na altura eu não gostava assim tanto.
Mesmo tendo deixado de parte muita "actividade", a experiência de as ter experimentado e insistido nelas tornou-me a "resiliente" que me considero hoje.
O estudo é essencial, mesmo nas matérias que menos se gostam, mesmo que depois "nada se vá fazer com isso" - aquilo com que "se faz" alguma coisa é com a persistência. Essa, depois, fica para a vida. Claro que mais tarde, se optam pelas coisas que se gostam mais e se deixam de parte aquelas de que não se gosta assim tanto... mas para se descobrir o que se gosta e o que é importante para nós, não tem, ou não se deve, experimentar de tudo (o mais possível) um pouco? A não esquecer que, durante a vida, temos de fazer muito de que não gostamos...
Como dizes, encontrar esse equilíbrio é difícil... o desgaste (penso) fará parte dessa complicada relação entre pais/filhos. Eu olho para trás, relembro o "desgaste", mas o que sinto que ficou dele, não é "desgaste". É um sentido muito forte de perseverança. Ensinaram-me a sê-lo com coisas que se calhar não eram assim tão importantes e depois aprendi com muito mais facilidade a sê-lo com as coisas que realmente me importam.
A seu tempo, as tuas filhas, irão descobrir aquilo que realmente querem e gostam, mas até lá, é bom que experimentem coisas que se calhar nem gostam assim tanto. Na vida, também terão de as fazer e terão de saber como não desistir.
... é o meu modesto contributo para as tuas questões que acredito que sejam angustiantes e que só me fazem pensar: coitadinha da minha mãe (e pai)... o quanto a/os fiz eu sofrer! E o quanto agradeço ela ter insistido comigo, mesmo contra a minha vontade.
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De blogdocaixote a 13.04.2018 às 16:29

Obrigada, porque ouvir a versão dos filhos que ainda são só isso, filhos, é muito bom. Às vezes, com aquela preocupação permanente de não traumatizarmos as crianças, deixamos de fazer coisas que a longo prazo são mais benéficas do que prejudiciais. Uma mãe/pai tem de estar sempre a pensar nisso e a pôr na balança. É uma canseira (ou então sou eu que complico de mais).
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De Anónimo a 14.04.2018 às 09:16

... somos e seremos sempre todos uma cambada de "traumatizados", por melhor serviço que os nossos pais tenham feito ou que a vida nos tenha tratado. Acho que faz parte da nossa frágil condição de "filhos": sermos uns "traumatizadozinhos" (não sei se este diminutivo está correcto). Até nos tornarmos pais - quando então percebemos que os nossos pais também eram filhos (como nós) e que só fizeram o melhor que podiam e sabiam...
Tu não complicas - tu preocupas-te. E isso, faz parte também, dessa por si só "complicada" relação... há-de fazer sempre. O importante é que tentas fazer o melhor (que podes e sabes) - e isso, amiga, garanto-te, elas vão sempre senti-lo (mesmo quando se revoltem contra o que fazes ou tentas fazer). Sentem-no quando não o admitem.. e mais tarde vão senti-lo dentro de si, com todas as forças... e agradecê-lo ;)
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De blogdocaixote a 19.04.2018 às 14:10

Espero mesmo que sim, porque há dias em que sinto que só faço merda e que estou a dar cabo de duas pessoas.

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