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Mais um caixote para atirar para lá a tralha que anda para aqui perdida.
Sou pessoa ansiosa, nervosa, com tendência para alguma dramatização, respiro e inspiro muito com o único resultado de ficar com excesso de ar nos pulmões, e, às vezes, tonta de tanta oxigenação cerebral.
Ando sempre a correr, com medo de chegar atrasada a todo o lado, ainda que seja só ali ao virar da esquina.
Começo as manhãs a correr e acabo os dias a correr. Contagio quem está à minha volta e todos os anos, ao virar dos aniversários, e dos anos letivos e das passagens de ano, prometo que vou correr menos, que vou correr menos, mas quando dou por mim, cinco segundos depois, já estou a correr, se não com as pernas, com o cérebro. E contagio toda a gente em meu redor. Marido e filhas, a toque de caixa, gata a toque de caixa, tudo a toque de caixa. E ando cansada, mesmo com horário de trabalho pequenino, dou por mim a desejar, todos os dias, a hora em que me vou deitar. E essa hora tem chegado cada vez mais cedo. Lá pelas 22.30 os lençóis já me cheiram o cabelo e sentem os pés frios.
Mas, devagar, devagarinho, as inspirações oxigenantes, os dedos em posição de ohmmmmm, vão-me levando a alguma acalmia.
Já não corro todas as manhãs, só algumas, e já sou capaz de sorrir perante a lesmice das minhas filhas, sou até capaz de não ficar zangada e dizer até logo meu amor com um sorriso verdadeiro e não de alguém que passou a última hora a berrar, porque de facto, berrei menos.
Devagar, vou correndo menos. Pode ser que lá para os oitenta deixe mesmo de correr.
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