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processando o processo

por blogdocaixote, em 17.01.19

Seremos sempre mães e pais de primeira viagem.

Porque eles são diferentes uns dos outros, porque as várias idades vão trazendo fases, como eu gosto de lhe chamar, porque eles e elas registam as coisas e processam de forma diferente, porque ainda que desejemos ser iguais e atuar de forma semelhante com os nossos filhos, somos diferentes, vamos constantemente em busca de adaptações, correções, eu sei lá.

Seremos sempre pais em construção e é assim que tem de ser. 

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publicado às 10:59

ai as novas tecnologias, as novas tecnologias

por blogdocaixote, em 06.12.18

Como se não fossem suficientes as ferramentas que eles têm ao seu dispor para se magoarem, triturarem, torturarem e manipularem uns aos outros, ainda lhes damos telemóveis onde criam grupos de whatsapp, onde se incluem uns aos outros e excluem de forma aleatória ou com base nos seus preconceitos e ignorâncias típicas da idade, criando traumas pessoais e sociais cuja fatura nós, pais, vamos ter de pagar, mais tarde ou mais cedo.

Em psicólogos ou em mais culpa para carregar.

 

 

 

 

Tirem-lhes os telemóveis, pôrra!

 

 

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publicado às 09:43

Sistema integrado

por blogdocaixote, em 26.11.18

Sentava-me, à frente porque sou baixinha (era assim que me chamavam, a baixinha, exceto naquela semana em que decidiram chamar-me cabidela porque rimava com gabriela) e bastava-me estar atenta à aula, ao que os professores diziam, escrever os apontamentos no caderno e pronto, chegava ao teste e sabia as respostas. 

Hoje, eles sentam-se, tomam notas e apontamentos, mas a atenção da maior parte está em parte incerta. E, mesmo que esteja lá, na sala de aula com o professor, chegam a casa e ainda têm de dar às canetas e estudar para conseguirem acompanhar a quantidade incrível de merda que têm de saber, de colar com cuspo para darem respostas nos testes dos quais se vão esquecer assim que sairem da sala.

E têm de o fazer depois de estarem na escola desde as 8.30 da manhã às 17h. A miudagem aqui da Batalha com sorte tem apenas uma tarde livre.

Eu bem gostaria que a minha miúda estudasse mais, ela precisa de estudar mais, mas que pôrra! o dia não tem mais de 24 horas!

Saindo ela sai às 16.30 todos os dias, exceto à quarta, tem meia horita para lanchar, espairecer e já está agarrada outra vez aos livros, para fazer trabalhos de casa. Que moral tenho eu para a obrigar a estudar para além disto? Se ela já teve uma jornada de oito (oito horas, car"#$"#!) na escola?

Há dias em que fico tão revoltada com esta merda de sistema que nem vos conto. E o pior? É que eu sinto-me mal por não a obrigar a estudar! Porque depois vêm as notas medíocres ou as que estão abaixo das suas capacidades! Mas a culpa não é só dela. 

E andam aí esses intelectuais de merda, políticos de gabinete que nunca puseram os pés numa sala de aula a vomitarem documentos com "aprendizagens essenciais" que na realidade não são nada, que nada produzem a não ser papel que nós imprimimos para ter nos dossiês, para a inspeção escolar ver.

Aprendizagens essenciais era saber ler, escrever e fazer contas de somar e subtrair, multiplicar e dividir, coisa que metade não sabe fazer e vai sair da escola sem saber. E vai continuar a estudar e a tirar cursos e depois vai trabalhar! pôrra!

 

 

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publicado às 17:24

ontem, hoje e amanhã (hei)

por blogdocaixote, em 17.10.18

Com cinco seis anos eu ia à mercearia uns metros abaixo de casa, murmurando a lista de compras, invariavelmente pequenina:

"seis papo secos, seis papo secos, seis papo secos...."

Brincávamos, em magotes, ou sozinhos, ao longo da vila. Com frequência, eu descia até lá abaixo, pertinho do campo de futebol e ia brincar com a margarida maria alacoque, que é a santa que deus nos envia para dar o sinal dar o toque, margarida maria alacoque. A margarida, ou guida para os amigos e família, odiava esta lengalenga que o meu pai fazia questão de dizer de todas as vezes que a via, mas tal não a impedia de brincar comigo. Às tantas de noite, quando achava que seria hora de jantar, porque também em casa da guida se punha a mesa, lá voltava eu para casa.

Brincava com o meno, no bairro, perto da casa do carrola, brincava na encosta do castelo, muitas vezes sozinha.

Ia para escola e voltava, sempre sozinha ou com o bruno, o meu amigo inseparável, que no fim da primeira classe se mudou porque o pai era bancário e foi ser gerente noutro sítio.

Ia à catequese sozinha e voltava sozinha.

Em baltar assim continuou. Íamos e vinhamos, sozinhos, das brincadeiras, das tarefas diárias...

Hoje, não deixo as minhas flhas irem a lado nenhum.

Mas a coisa vai mudar. Já é tempo! De pequenino se torce o pepino. 

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publicado às 12:48

Mãe exemplar

por blogdocaixote, em 20.06.18

Oh minhas meninas, mais cinco minutos (de televisão) e acabou! Digo eu, enquanto me preparo para ver o terceiro video da bumba na fofinha no YouTube.

Bonito, não é? 

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publicado às 19:58

ESQUECI-ME

por blogdocaixote, em 02.05.18

Eu sou aquela mãe que se esquece dos dias das provas de aflição de expressões! 

E está- se a cagar para esse esquecimento! 

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publicado às 19:51

vai-te lixar

por blogdocaixote, em 19.04.18

O puto gritou qualquer coisa que eu não ouvi e ela mandou-o lixar. 

 - Mr! que foi, porque mandaste o miúdo lixar-se?

E depois ouvi: Mr! és não sei quê, não sei quê e ninguém gosta de ti" e ela mandou-o lixar-se outra vez. A minha vontade foi sair do carro e pregar dois tabefes àquele puto, mas deixei-me ficar.

Dei-lhe "autorização" (porquê as aspas? porque ela me perguntou se podia e eu disse que sim) à miúda para fazer piretes àquele puto ranhoso que está sempre a chateá-la. 

"podes, mas tens de garantir que não há nenhum adulto a ver."

Depois disse-lhe que o melhor mesmo era pura e simplesmente ignorar e partilhei com ela aquela cena de os rapazes da minha turma do 5º ano me chamarem arroz de cabidela, porque rimava com Gabriela. Durou uns dois ou três dias, porque eu ouvia-os gritar "cabideeeelaaaa", "cabiiiideeelaaaaa", mas fazia de conta que não, seguia o meu caminho (lixada por dentro, mas fazendo de conta que tô nem aí, tô nem aí, ainda esta música não tinha aparecido, só uns bons anos depois, que não sou assim tão idosa). 

 

Ensinar aos miúdos que se devem defender, e que essa defesa pode passar apenas pelo desprezo, não é errado, pois não? 

 

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publicado às 13:08

ensinar a resiliência ou torturar

por blogdocaixote, em 12.04.18

A propósito deste texto da Maribel, volto a pensar numa questão que me vem à cabeça muitas vezes quando se trata da minha miúda mais velha: quando é que insistirmos com os miúdos para fazerem alguma coisa que eles não querem ou acham que não conseguem deixa de ser trabalhar a resiliência e passa a ser pura tortura?

No caso da Mr., estes cinco anos de escola ensinaram-me que se ela não está para lá virada, insistir para que o faça só dá discussão, asneiras e muitos cabelos brancos (a mim). Assim, se ela não está para lá virada, obrigá-la a estudar matemática, por exemplo, é puro desgaste emocional para ambas, idem para o trompete e tudo o resto.

Todos os dias são dias de batalha campal e esta mãe fica sem saber o que fazer, sabendo que na vida não podemos só fazer aquilo que nos apetece, quando nos apetece. É a difícil e constante busca pelo equilíbrio. 

O pai tem a habilidade de levar a água dele com mais frequência ao moinho, mas eu desisto mais facilmente.

Se calhar, a culpa é da minha mãe, que não me ensinou a ser resiliente, porque já sabemos, a culpa é sempre das mães! 

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publicado às 11:21

recuso-me

por blogdocaixote, em 14.03.18

"Fizemos teste único, não tive nem ciências nem educação física, não nos avisaram. Podia não ter levado equipamento.... "

"Teste único?"

"Sim, todos os quintos anos fizeram o teste igual, à mesma hora."

 

Passei o último ano do curso e o estágio de forma intensiva a ouvir "o aluno é o centro, temos de nos adaptar ao aluno, temos de chegar ao aluno". Passei esses dois anos a levar com as teorias dos diferentes estilos de aprendizagem, a levar na cabeça todos os dias porque "não chegaste ao aluno, estas fichas não têm exercícios para os aprendentes cinestésicos..." 

E agora, anda esta malta a fazer testes iguais para todos, em nome de umas supostas objetividade e justiça.

Até para as minhas diferentes turmas tenho dificuldade em fazer testes iguais, porque elas são diferentes, têm ritmos diferentes, aprendem de forma diferente, logo a minha abordagem dos mesmos conteúdos é diferente, como é que esta malta consegue fazer testes iguais, iguais? Como? Ninguém protesta? os colegas andam a dormir? 

Recuso-me! Eu sei o que estou a dar aos meus alunos, mais importante: eu sei como estou a dar. Aquele teste que aquele professor fez a pensar na turma dele não serve à minha ou aquele teste feito em modo retalho, com uns exercícos daquele professor e outros exercícios de outro não passa disso, uma manta de retalhos.

Recuso-me. E faz-me urticária que as minhas miúdas andem a ser sujeitas a esta merda desta pedagogia da treta, ainda mais quando a palavra "flexibilização" anda por aí nas bocas de tudo o que é diretor. Parece que andamos sempre a brincar ao ensino, foda-se! 

 

 

 

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publicado às 19:40

a socialização devia ser proibida

por blogdocaixote, em 12.01.18

quem a vir e ouvir nas brincadeiras e jogos de faz de conta diria que vê telenovelas, principalmente as da TVI, diria que sabe o que são "iutibers" e que vê outro tipo de programas não aconselhados a miúdos de oito anos, pelo menos sem supervisão parental. É ouvi-la dizer coisas como: "mas meu amor, eu amo-te, não me deixes!" ou "olá maltinha", enquanto se filma com o telemóvel da mãe e, ontem, no banho, um gritinho agudo "ah, mr. vi as tuas partes." (quê????, partes, onde ouviste tu essa expressão? de onde veio isso?)

Na verdade, não vemos telenovelas cá em casa, a mais nova não sabe o que são "iutubers", mas passm muito tempo, é um facto, a ver a porcaria do cartoon network. E que porcaria que aquilo é. Não há um único desenho animado que não viva das novas (não sei porque ainda lhes chamamos isto, se calhar, somos só nós, os velhos que ainda dizemos novas) tecnologias, que não dependa de vídeos, de jogos online, de situações ligadas à internet. As personagens são criaturas estranhas (fisica e metalmente), mistura-se desenho com imagem real, há coelhos que vivem com peixinhos de aquário, pássaros estranhos que coabitam com animais "indecifráveis" - aquilo é um ouriço ou um urso? - viaja-se no tempo, fazem-se corridas na vertical, raptam-se professores para obter a oportunidade de repetir testes e exames, cantam-se coisas como "os alunos são muito chatos e a escola está cheia de ratos"... só para dar alguns exemplos. 

Outro facto é que mesmo sem terem telemóveis com ligação à internet, não controlamos o que fazem na escola com os colegas que têm, não sabemos que vídeos veem, que interpretações fazem da merda toda que veem, e se há merda é na internet, se há gente estúpida e ignorante é no youtube. E nós (falo de nós aqui em casa, não de um modo geral) não controlamos nada. Para já ainda nos contam se perguntarmos ou por iniciativa própria. Mas daqui a uns dois anos, se tanto, deixarão de o fazer. E como ficamos nós (aqui em casa, vocês que dão telemóveis aos vossos filhos e permitem que façam o que bem entenderem com os mesmos, vocês, estou-me a cagar para vocês, na verdade não estou, na verdade gostava que a merda que andam a fazer com os vossos filhos só vos afetasse exclusivamente e não a mim ou às minhas miúdas, mas não, tenho de levar com a vossa falta de pensamento crítico e a vossa estupidez)? 

Ficamos assim: tentamos que a supervisão, os exemplos que damos e a educação tenham algum papel. 

Estou furiosa, sim, e possivelmente algo rude, mas cansa ver a forma ignorante como a minha geração está a educar os seus filhos.  

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publicado às 12:10


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