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na batalha, na guerra!

por blogdocaixote, em 26.02.19

Estava difícil pôr a mais nova a ler. Tal como fiz com a Mr. nunca a obriguei a pegar num livro. Fui fazendo pressão, pouquinha, fui pondo livros no meio do caminho, mas a miúda não tinha interesse nenhum (nada de mais, a mr também demorou a ainda agora é preciso forçar um bocado a barra).

Entretanto, na escola, uma miúda apareceu com um livro de BD que metia um unicórnio. Tudo em tons de rosa, como a chavala gosta e aquilo deixou-me interessada.

Na última ida àquela grande superfície comercial que começa em F e acaba em ac, comprei-lhe o primeiro da coleção. Já vai a mais de meio. E é muito gira vê-la concentrada, com a cabeça mergulhada no livro. 

Estou também a dever dinheiro à Mr. porque subornei-a para ler um da Alice Vieira e ela já vai para o segundo, tendo gostado do primeiro (Paulina ao piano). 

Não me lembro de alguma vez ter sido subornada pelos meus progenitores para ler, mas ei! vale tudo na guerra a favor da aculturação das camadas mais jovens! 

 

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publicado às 18:23

controlar e proibir para educar?

por blogdocaixote, em 21.02.19

Na senda do uso de telemóveis (smartphones) na escola, dou por mim a pensar: será que estas questões só me perturbam a mim, será que para a maioria dos pais é ponto assente que os filhos andem sempre de telemóvel, será que sou só eu que acho que os pais devem "invadir" a privacidade dos filhos para controlar o que andam a ver e a fazer?

Aqui há uns tempos, numa reunião de pais, uma mãe disse qualquer coisa como: se a escola proibisse os miúdos de trazerem telemóveis é que era bom...

Sem pensar muito, respondi assim um bocado à bruta que nós (pais e mães) é que tínhamos de os proibir ou não de levar o "bicho" para a escola, que esta nem sequer tem condições para levar a cabo proibições desse âmbito. Creio que o que a senhora queria era ficar livre da culpa e do peso de ter de ser ela a impor essa proibição, seria muito fácil passar a batata quente à escola.

E pumbas! lá vêm os meus debates interiores: nós pais é que temos de ter espinha dorsal suficientemente dura para, uma vez acreditando em determinado princípio, ser capaz de o levar até ao fim (com a devida sensatez). Ou não? 

Depois, voltando à "invasão de privacidade": dou um smartphone ao meu filho apenas quando tiver plena confiança no uso que ele lhe vai dar ou dou-lho, cedendo à pressão que ele me faz (toda a gente tem menos eu!!) e porque é conveniente também para mim saber que ele está sempre contactável e depois coíbo-me de controlar, porque ah e tal, não quero invadir o espaço dele... ?

Não sei como pensarei daqui a uns três anos, mas para já defendo que nós pais temos o dever de "invadir" a privacidade dos nossos filhos. Serei uma besta? 

 

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publicado às 09:39

processando o processo

por blogdocaixote, em 17.01.19

Seremos sempre mães e pais de primeira viagem.

Porque eles são diferentes uns dos outros, porque as várias idades vão trazendo fases, como eu gosto de lhe chamar, porque eles e elas registam as coisas e processam de forma diferente, porque ainda que desejemos ser iguais e atuar de forma semelhante com os nossos filhos, somos diferentes, vamos constantemente em busca de adaptações, correções, eu sei lá.

Seremos sempre pais em construção e é assim que tem de ser. 

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publicado às 10:59

ai as novas tecnologias, as novas tecnologias

por blogdocaixote, em 06.12.18

Como se não fossem suficientes as ferramentas que eles têm ao seu dispor para se magoarem, triturarem, torturarem e manipularem uns aos outros, ainda lhes damos telemóveis onde criam grupos de whatsapp, onde se incluem uns aos outros e excluem de forma aleatória ou com base nos seus preconceitos e ignorâncias típicas da idade, criando traumas pessoais e sociais cuja fatura nós, pais, vamos ter de pagar, mais tarde ou mais cedo.

Em psicólogos ou em mais culpa para carregar.

 

 

 

 

Tirem-lhes os telemóveis, pôrra!

 

 

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publicado às 09:43

Sistema integrado

por blogdocaixote, em 26.11.18

Sentava-me, à frente porque sou baixinha (era assim que me chamavam, a baixinha, exceto naquela semana em que decidiram chamar-me cabidela porque rimava com gabriela) e bastava-me estar atenta à aula, ao que os professores diziam, escrever os apontamentos no caderno e pronto, chegava ao teste e sabia as respostas. 

Hoje, eles sentam-se, tomam notas e apontamentos, mas a atenção da maior parte está em parte incerta. E, mesmo que esteja lá, na sala de aula com o professor, chegam a casa e ainda têm de dar às canetas e estudar para conseguirem acompanhar a quantidade incrível de merda que têm de saber, de colar com cuspo para darem respostas nos testes dos quais se vão esquecer assim que sairem da sala.

E têm de o fazer depois de estarem na escola desde as 8.30 da manhã às 17h. A miudagem aqui da Batalha com sorte tem apenas uma tarde livre.

Eu bem gostaria que a minha miúda estudasse mais, ela precisa de estudar mais, mas que pôrra! o dia não tem mais de 24 horas!

Saindo ela sai às 16.30 todos os dias, exceto à quarta, tem meia horita para lanchar, espairecer e já está agarrada outra vez aos livros, para fazer trabalhos de casa. Que moral tenho eu para a obrigar a estudar para além disto? Se ela já teve uma jornada de oito (oito horas, car"#$"#!) na escola?

Há dias em que fico tão revoltada com esta merda de sistema que nem vos conto. E o pior? É que eu sinto-me mal por não a obrigar a estudar! Porque depois vêm as notas medíocres ou as que estão abaixo das suas capacidades! Mas a culpa não é só dela. 

E andam aí esses intelectuais de merda, políticos de gabinete que nunca puseram os pés numa sala de aula a vomitarem documentos com "aprendizagens essenciais" que na realidade não são nada, que nada produzem a não ser papel que nós imprimimos para ter nos dossiês, para a inspeção escolar ver.

Aprendizagens essenciais era saber ler, escrever e fazer contas de somar e subtrair, multiplicar e dividir, coisa que metade não sabe fazer e vai sair da escola sem saber. E vai continuar a estudar e a tirar cursos e depois vai trabalhar! pôrra!

 

 

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publicado às 17:24

ontem, hoje e amanhã (hei)

por blogdocaixote, em 17.10.18

Com cinco seis anos eu ia à mercearia uns metros abaixo de casa, murmurando a lista de compras, invariavelmente pequenina:

"seis papo secos, seis papo secos, seis papo secos...."

Brincávamos, em magotes, ou sozinhos, ao longo da vila. Com frequência, eu descia até lá abaixo, pertinho do campo de futebol e ia brincar com a margarida maria alacoque, que é a santa que deus nos envia para dar o sinal dar o toque, margarida maria alacoque. A margarida, ou guida para os amigos e família, odiava esta lengalenga que o meu pai fazia questão de dizer de todas as vezes que a via, mas tal não a impedia de brincar comigo. Às tantas de noite, quando achava que seria hora de jantar, porque também em casa da guida se punha a mesa, lá voltava eu para casa.

Brincava com o meno, no bairro, perto da casa do carrola, brincava na encosta do castelo, muitas vezes sozinha.

Ia para escola e voltava, sempre sozinha ou com o bruno, o meu amigo inseparável, que no fim da primeira classe se mudou porque o pai era bancário e foi ser gerente noutro sítio.

Ia à catequese sozinha e voltava sozinha.

Em baltar assim continuou. Íamos e vinhamos, sozinhos, das brincadeiras, das tarefas diárias...

Hoje, não deixo as minhas flhas irem a lado nenhum.

Mas a coisa vai mudar. Já é tempo! De pequenino se torce o pepino. 

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publicado às 12:48

Mãe exemplar

por blogdocaixote, em 20.06.18

Oh minhas meninas, mais cinco minutos (de televisão) e acabou! Digo eu, enquanto me preparo para ver o terceiro video da bumba na fofinha no YouTube.

Bonito, não é? 

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publicado às 19:58

ESQUECI-ME

por blogdocaixote, em 02.05.18

Eu sou aquela mãe que se esquece dos dias das provas de aflição de expressões! 

E está- se a cagar para esse esquecimento! 

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publicado às 19:51

vai-te lixar

por blogdocaixote, em 19.04.18

O puto gritou qualquer coisa que eu não ouvi e ela mandou-o lixar. 

 - Mr! que foi, porque mandaste o miúdo lixar-se?

E depois ouvi: Mr! és não sei quê, não sei quê e ninguém gosta de ti" e ela mandou-o lixar-se outra vez. A minha vontade foi sair do carro e pregar dois tabefes àquele puto, mas deixei-me ficar.

Dei-lhe "autorização" (porquê as aspas? porque ela me perguntou se podia e eu disse que sim) à miúda para fazer piretes àquele puto ranhoso que está sempre a chateá-la. 

"podes, mas tens de garantir que não há nenhum adulto a ver."

Depois disse-lhe que o melhor mesmo era pura e simplesmente ignorar e partilhei com ela aquela cena de os rapazes da minha turma do 5º ano me chamarem arroz de cabidela, porque rimava com Gabriela. Durou uns dois ou três dias, porque eu ouvia-os gritar "cabideeeelaaaa", "cabiiiideeelaaaaa", mas fazia de conta que não, seguia o meu caminho (lixada por dentro, mas fazendo de conta que tô nem aí, tô nem aí, ainda esta música não tinha aparecido, só uns bons anos depois, que não sou assim tão idosa). 

 

Ensinar aos miúdos que se devem defender, e que essa defesa pode passar apenas pelo desprezo, não é errado, pois não? 

 

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publicado às 13:08

ensinar a resiliência ou torturar

por blogdocaixote, em 12.04.18

A propósito deste texto da Maribel, volto a pensar numa questão que me vem à cabeça muitas vezes quando se trata da minha miúda mais velha: quando é que insistirmos com os miúdos para fazerem alguma coisa que eles não querem ou acham que não conseguem deixa de ser trabalhar a resiliência e passa a ser pura tortura?

No caso da Mr., estes cinco anos de escola ensinaram-me que se ela não está para lá virada, insistir para que o faça só dá discussão, asneiras e muitos cabelos brancos (a mim). Assim, se ela não está para lá virada, obrigá-la a estudar matemática, por exemplo, é puro desgaste emocional para ambas, idem para o trompete e tudo o resto.

Todos os dias são dias de batalha campal e esta mãe fica sem saber o que fazer, sabendo que na vida não podemos só fazer aquilo que nos apetece, quando nos apetece. É a difícil e constante busca pelo equilíbrio. 

O pai tem a habilidade de levar a água dele com mais frequência ao moinho, mas eu desisto mais facilmente.

Se calhar, a culpa é da minha mãe, que não me ensinou a ser resiliente, porque já sabemos, a culpa é sempre das mães! 

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publicado às 11:21


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