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estilos (ou uma lição sobre)

por blogdocaixote, em 13.07.21

que fazes?

estou a pesquisar roupa alterna.

Até me caiu a caneta da boca, a caneta com que ia escrevendo no caderno e que punha na boca quando precisava de voltar ao teclado do computador.

Alterna? podia jurar que tinha ouvido alternadeira, que a minha mais velha queria roupa de alternadeira. Depois pedi para repetir e ela disse outra vez "roupa alterna". Claro que não podia ser de alternadeira, ela sabe lá o que é uma alternadeira. 

Alterna, de alternativa, explica ela. Tudo bem, nada a opor, até bato palmas. Devo ter arrumado algures umas quantas saias e camisas que cumprem o requisito.

A outra, a mais nova, quer roupa no estilo kawai. o que é? não sei... 

quando acho que a coisa até está a correr minimamente bem saem-se com estas pérolas que me fazem sentir uma velhadas de noventa anos. 

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publicado às 12:09

para memória futura

por blogdocaixote, em 09.07.21

Nome do meio agora: alheada.

Vejo-a caminhar à frente, de unhas pintadas de preto, toda ela, quase toda de preto, e tenho de fazer um esforço enorme para voltar atrás no tempo e lembrar-me de mim há trinta anos.

Só vos digo: adolescência é o karma, and karma is a bitch! 

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publicado às 15:06

inversões

por blogdocaixote, em 11.05.21

A disciplina na sala de aula ou a falta dela é um tema constante entre nós, professores. Vinha a pensar nisso (aliás, penso muito nisso) no outro dia numa das minhas viagens entre escolas. Vinha a pensar que, em certas turmas, tenho muitos problemas de disciplina e, claro, na minha cabeça o problema sou eu, que não sei impô-la ou não sei dar aulas de forma a que não seja necessário impô-la. Tive uma orientadora de estágio, da faculdade, que me deixou com a seguinte ideia (que me traumatizou, mas que na minha opinião é uma ideia errada): se o professor for bom, não há lugar à indisciplina, porque o bom professor cria e planifica aulas motivadoras, onde não há espaço para indisciplina. Durante anos esta ideia deu cabo de mim como professora e ainda dá. Todos os dias tenho de me olhar ao espelho e fazer o exercício mental de a desfazer para conseguir ir trabalhar, mas todos os dias me penitencio por não trabalhar mais.

Vinha a remoer esse pensamento, o de que tenho de trabalhar mais, mas depois inverti a coisa: eu não trabalho mais porque quando acaba o meu trabalho na escola eu venho trabalhar na minha casa - dar atenção às filhas e ao marido e à casa em si, o espaço onde moramos. E pensei que se todos nós fizessemos isso (dar mais atenção às nossas pessoas), depois, nas salas de aula, o professor não teria de passar tanto tempo a lidar com indisciplina, porque o básico já tinha sido passado em casa. 

Portanto, está tudo invertido. Investimos nos locais errados e nas pessoas erradas, queremos fazer (olhó cliché) casas a começar pelos telhados, sem pensar nos alicerces. 

 

 

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publicado às 11:48

decidir

por blogdocaixote, em 08.04.21

Tomar decisões é coisa para lhe pesar, muito, toneladas. Peso esse que não sabe como aliviar. As vítimas são, regra geral, a mãe, a irmã e uma grande almofada que faz de cabeceira na cama da mãe.

Pega na dita almofada e vai de a sovar, de a atirar ao chão, de se atirar para cima dela, qual lutador de wrestling.

Toda suada, mas ainda lixada da vida, porque não sabe se escolhe A ou se escolhe B, esfrega o corpo no chão, dá abraços que magoam e a deixam sem respirar à mãe e a seguir vai implicar com a irmã.  

É difícil escolher, estando sempre a pensar nas perdas que a decisão acarreta em vez de pensar nas vantagens e nos ganhos, mas a miúda recusa-se a ver as coisas deste modo. 

 

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publicado às 10:55

deles, os filhos

por blogdocaixote, em 06.04.21

Chega aquela fase em que eles, os filhos, se evadem pelos buracos que encontram.

Gradual e lentamente numa questões, demasiado rápido noutras, deixamos de acompanhar o que sentem, com quem falam ou nalguns casos, não falam, deixamos de ter  as poucas certezas que tínhamos.

Ficamos naquele limbo de não saber se estamos a dar-lhes espaço ou se os estamos a abandonar aos seus pensamentos e dores, que eles agora nos escondem, com medo de não serem compreendidos.

Mal eles sabem que não precisamos de fazer muito esforço para voltar aos tempos em que tudo era negro e ausente de esperança num minuto e prenhe de felicidade no seguinte.

Mas eles sabem que podem confiar em nós, que vamos ouvi-los e compreendê-los, ainda que incapazes, por vezes, de lhes dar as palavras de que precisam. 

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publicado às 12:43

adolescência

por blogdocaixote, em 01.07.20

Ficamos grávidas e começamos a ler tudo sobre gravidez, parto etc.

Damos à luz e continuamos a ler tudo e queremos partilhar tudo e tudo, até criamos blogs e estamos sempre on nos instagrams desta vida.

Depois, eles crescem e há algo que nos impede de continuar a partilhar - a ideia de que aquilo que se passa com eles a partir do momento em que tomam consciência de si próprios é só deles.

Mas a vontade de partilhar, de querer saber como fazem os outros, não vai embora num passe de magia.

Faz-me falta ler, saber como fazem os outros pais e mães, como lidam com as birras dos treze e dos catorze. E não há. Paramos de partilhar.

Não está errado, mas devia haver uma forma de continuarmos ligados uns aos outros enquanto pais nesta fase tão "dramática" que é a adolescência. 

 

 

 

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publicado às 15:08

terceiro período

por blogdocaixote, em 14.04.20

Começou hoje o terceiro período.

Hoje fui encarregada de educação 80% do tempo.

Suspeito que, entretanto, terei de escolher se sou professora dos meus alunos ou encarregada de educação das minhas filhas, porque posso fazê-lo.

Não sei que fará quem não tem esta opção. 

 

 

 

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publicado às 21:25

Depois do jantar e da cozinha (mais ou menos) arrumada, conduzo-as para o meu quarto. Está quentinho. Levo três livros: o meu e um para cada uma delas. A Mr. está a ler a saga Harry Potter, vai no terceiro volume, para a Gr. escolho eu para facilitar a coisa e não haver dúvidas de que tem de ler um livro de gente grande (escolhe regra geral os livros da Bia e o unicórnio, que já leu ou um qualquer com mais imagem do que texto).

Sentamo-nos na cama e lemos. Eu agarro-me às intermitências da morte de Saramago, a mais velha aos dementors (salvo seja) e a mais nova a uma aventura no supermercado. Sou interrompida pela mais velha e pelos seus brados ai que isto é mesmo assustador, ai que mete mais medo do que os filmes e pela mais nova, à medida que vai encontrando palavras escrita na ortografia pré acordo e se espanta, como se fossem palavras novas e raras. 

Aquela coisa que eu defendia de não obrigar os meus filhos a ler foi pelo cano da experiência maternal abaixo, aquela teoria do Pennac de que o verbo ler não tem imperativo foi pelo mesmo caminho.

 

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publicado às 11:06

disponibilidades

por blogdocaixote, em 06.11.19

Dou por mim com os dias cheios, entre gerir casa que vive em permanente caos e gerir trabalho. Não sei se vou fazer aqueles "quadros de bom comportamento" que prometi aos miúdos, se acabo de fazer as grelhas excel, se confirmo as aprendizagens essenciais ou se termino esta ficha para aqueles dois alunos com necessidades especiais Ai! agora não posso dizer nem escrever isto, é miúdos que estão no artigo cinquenta e qualquer coisa, eu tenho-o aqui todo sublinhado, mas não há maneira de lhe fixar o número...

não sei se faça uma dessas coisas, está visto que tudo ao mesmo tempo não consigo, se vá apanhar aquela roupa e estender a que está na fila de espera do estendal, mas espera! cheira-me a xixi de gato, tenho de ir limpar a caixa da gata...

se calhar vou ali gerir aquela birra, tanta birra e pequenas obsessões,

filha, a mãe não consegue estar o tempo todo a explicar-te porque não posso ir à boxe procurar o anúncio daquele brinquedo, agora não, tu já viste a montanha de coisas que tenho de fazer? e vamos chegar atrasadas!

Mas.... espera... que falta de disponibilidade mental é esta para o que mais interessa nestas nossas vidas se escolhemos pôr filhos no mundo? esta falta de disponibilidade para educarmos os nossos filhos? de onde veio esta inversão nas prioridades? Gabriela? é mais importante chegar a tempo à escola ou fazer ver qualquer coisa importante aos teus filhos? é mais importante aquele papel ou veres com calma e atenção a ficha que a miúda te mostra, toda orgulhosa do resultado?

É mais importante arrumar a cozinha ou ir acalmar aquela filha que agora percebeu que se enganou em algo que para ela é importante? 

A falta de disponibilidade mental para aquilo que realmente importa.... isso é que precisas de gerir... esquece lá a roupa, mas depois andamos nús....

esquece lá os testes que é preciso corrigir, mas depois como faço a avaliação...

que caraças de vida.

Acabar o trabalho a horas de ainda ser capaz de estar com a família. Isso é que era! 

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publicado às 12:41

na batalha, na guerra!

por blogdocaixote, em 26.02.19

Estava difícil pôr a mais nova a ler. Tal como fiz com a Mr. nunca a obriguei a pegar num livro. Fui fazendo pressão, pouquinha, fui pondo livros no meio do caminho, mas a miúda não tinha interesse nenhum (nada de mais, a mr também demorou a ainda agora é preciso forçar um bocado a barra).

Entretanto, na escola, uma miúda apareceu com um livro de BD que metia um unicórnio. Tudo em tons de rosa, como a chavala gosta e aquilo deixou-me interessada.

Na última ida àquela grande superfície comercial que começa em F e acaba em ac, comprei-lhe o primeiro da coleção. Já vai a mais de meio. E é muito gira vê-la concentrada, com a cabeça mergulhada no livro. 

Estou também a dever dinheiro à Mr. porque subornei-a para ler um da Alice Vieira e ela já vai para o segundo, tendo gostado do primeiro (Paulina ao piano). 

Não me lembro de alguma vez ter sido subornada pelos meus progenitores para ler, mas ei! vale tudo na guerra a favor da aculturação das camadas mais jovens! 

 

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publicado às 18:23


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