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Relambório sobre a escola e os armazéns

por blogdocaixote, em 18.09.20

"A escola tem de se reinventar." 

"A escola tem de se reinventar." 

"A escola tem de se reinventar." 

Estas semanas que se passaram, de preparação para o início do ano letivo que começou ontem, foi a frase que mais ouvi, enquanto professora, da boca da direção, de coordenadores, enquanto encarregada de educação.

A escola tem de se reinventar é mensagem que vai direta ao ouvido dos professores, que dão as cara pela escola todos os dias à opinião pública. Se os professores não se conseguirem "reinventar" a escola falhou. 

Que grande pôrra! E a sociedade civil, as instituições, as entidades patronais não têm de se reinventar? 

Na reunião com a direção da escola, os pais estavam muito preocupados com as tardes livres e manhãs livres que os filhos passam a ter, exigindo que a escola dê soluções. A escola não é armazém de crianças.

Não passa pelas nossas cabeças que é às entidades patronais que temos de pedir soluções? Que horários rigídos das oito às seis da tarde já não fazem sentido? que a família deve estar primeiro? 

Não é só a escola que tem de mudar. Somos todos nós. 

 

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publicado às 11:49

Eu podia dizer que não tenho tempo para me coçar, mas era mentira, porque tenho, e uso-o para fazer isso, coçar-me ou ir arrumar as almofadas dos sofás pela milésima vez ou apanhar a roupa que secou e arrumar a cozinha do lanche que daqui a pouco são horas de jantar.

Passo os dias sentada ao computador, com um olho no #estudaemcasa, outro na mais nova e um terceiro que vamos fazer de conta que existe (não o do c*) e vou ver a mais velha que montou a escola no quarto e emerge para brincar um bocadinho ou meter comida na boca. Passo os dias a responder a mails e a ver fotos manhosas de páginas dos manuais (que não pedi, mas já que os pais se disponibilizaram a fazer eu não consigo ignorar), a contabilizar quem está a dar notícias e quem não está, para enviar mais mails para responder depois.

Nos intervalos dos mails tenho ideias para apresentar a matéria aos miúdos em modo à distância, mas depois descubro que não consigo fazê-lo porque não domino as ferramentas necessárias para o fazer. E quando descubro quais são e tento descobrir como usá-las o meu computador entra em modo arrastadeira e não saio do sítio. E o pior é à noite: passo-a toda a "explorar" a dita aplicação, o cérebro não desliga e acordo ainda mais cansada.

Ponto giro destas semanas que foram as primeiras do ensino à distância em modo oficial (porque na verdade estamos assim desde 16 de março): falar com os putos nos meetings desta internet fora. Depois de umas quantas sessões online já dominam netiquette e portam-se muito bem. Ontem quase me vinham as lágrimas aos olhos ao ver uma turma espalhada pelo éran, todos de micros desligados à espera. E quando lhes dei ordem de soltura e eles puderam falar uns com os outros! A loucura.   

E ontem à tardinha, os nossos coordenadores foram aos grupos de trabalho do whatsapp dar uma de relações públicas, foram agradecer o empenho e blá blá blá de todos, desejando um bom fim de semana de descanso, que é merecido. Descanso? onde? Se às oito da manhã já eu estou na cozinha a pensar no trabalho que ainda me falta fazer para pôr a próxima semana de aulas a andar?

Se passei a noite toda a explorar o flipgrid a a tentar fazer screencasting com o sreencastify? 

(não sabem o que é? estudassem!)

Hoje é 25 de Abril. Daqui a pouco ponho a Grândola a tocar, choro mais um bocadinho e logo à tarde furo o confinamento para ir dar uma volta com duas pessoas que não são do meu agregado familiar. Não hei-de apanhar covid e os putos hão-de agradecer não ter trabalho de inglês, se for caso disso. 

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publicado às 08:36

Rescaldo da primeira semana de aulas

por blogdocaixote, em 20.04.20

Então, miúdas, que acharam da primeira semana de aulas?

Não foi má, dizem. 

E de que gostaram mais? 

Eu gostei da aula de cidadania, responde a Mr.

Sim?

Sim. Daquele momento em que o professor nos deixou sozinhos a falar uns com os outros. 

Moral da história: virtual ou real, o melhor da escola continuam a ser os intervalos. 

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publicado às 21:05

só tu é que não percebeste!

por blogdocaixote, em 21.10.19

O professor de história da mr. vive rodeado de mitos urbanos que ele próprio foi criando ao longo dos anos.

Já tínhamos ouvido histórias do arco da velha sobre o senhor. 

Este ano, a mr. já chegou a casa muito excitada com a notícia de que o professor é alérgico às radiações e, por isso, possui um medidor de radiações, que leva para as aulas. Ai dos miúdos que não desligarem os telemóveis nas aulas dele. Ele deteta logo, com o seu medidor!

Este fim de semana, chegou a casa com a missão de ver o planeta dos macacos. O planeta dos macacos? por causa do home erectus, por causa da evolução da espécie humana? perguntei eu.

Não! para vermos o futuro, o professor de história disse para vermos o planeta dos macacos, para vermos como vai ser o nosso futuro!

Óbvio, não?

 

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publicado às 13:41

Seis horas de aulas e quatro kgs de mochila depois, fui buscar uma.

Oito horas de aulas e oito kgs de mochila depois, fui buscar a outra.

Este foi o primeiro dia. Delas.

Do pai também, numa nova relação profissional, com uma nova escola. Ainda está na fase de enamoramento. Saíu de casa antes das oito da manhã. Ainda não chegou a casa. 

E eu? Eu começo amanhã. 

 

 

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publicado às 19:41

Kilimanjaro

por blogdocaixote, em 12.09.19

É assim a torre de manuais e cadernos da mais velha. Ainda faltam coisas.

IMG_20190912_165518.jpg

 

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publicado às 16:56

balanço 2018-19

por blogdocaixote, em 17.07.19

O ano letivo acabou (ainda ontem começou, é a sensação que tenho).

Para as miúdas correu bem. Acho que sou menos ansiosa em relação à mais nova no que toca à escola e vou dando asas à mais velha.

Ainda não estou de férias, mas já não tenho trabalho. Fiz duas formações e ando agora com os trabalhos de avaliação das ditas cujas. Foi giro.

Tive companhia para andar para baixo e para cima, para fazer relatórios e avaliações no meio de muita galhofa e umas quantas minis, superbock e sagres.

Ontem terminei a segunda ronda e acabámos o jantar a falar sobre fenómenos como reuniões da maleta vermelha. Foi giro. 

Não sei o que o ano letivo que aí vem traz (que novidade!), mas este trouxe-me duas pessoas bem porreiras! 

 

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publicado às 14:51

Sistema integrado

por blogdocaixote, em 26.11.18

Sentava-me, à frente porque sou baixinha (era assim que me chamavam, a baixinha, exceto naquela semana em que decidiram chamar-me cabidela porque rimava com gabriela) e bastava-me estar atenta à aula, ao que os professores diziam, escrever os apontamentos no caderno e pronto, chegava ao teste e sabia as respostas. 

Hoje, eles sentam-se, tomam notas e apontamentos, mas a atenção da maior parte está em parte incerta. E, mesmo que esteja lá, na sala de aula com o professor, chegam a casa e ainda têm de dar às canetas e estudar para conseguirem acompanhar a quantidade incrível de merda que têm de saber, de colar com cuspo para darem respostas nos testes dos quais se vão esquecer assim que sairem da sala.

E têm de o fazer depois de estarem na escola desde as 8.30 da manhã às 17h. A miudagem aqui da Batalha com sorte tem apenas uma tarde livre.

Eu bem gostaria que a minha miúda estudasse mais, ela precisa de estudar mais, mas que pôrra! o dia não tem mais de 24 horas!

Saindo ela sai às 16.30 todos os dias, exceto à quarta, tem meia horita para lanchar, espairecer e já está agarrada outra vez aos livros, para fazer trabalhos de casa. Que moral tenho eu para a obrigar a estudar para além disto? Se ela já teve uma jornada de oito (oito horas, car"#$"#!) na escola?

Há dias em que fico tão revoltada com esta merda de sistema que nem vos conto. E o pior? É que eu sinto-me mal por não a obrigar a estudar! Porque depois vêm as notas medíocres ou as que estão abaixo das suas capacidades! Mas a culpa não é só dela. 

E andam aí esses intelectuais de merda, políticos de gabinete que nunca puseram os pés numa sala de aula a vomitarem documentos com "aprendizagens essenciais" que na realidade não são nada, que nada produzem a não ser papel que nós imprimimos para ter nos dossiês, para a inspeção escolar ver.

Aprendizagens essenciais era saber ler, escrever e fazer contas de somar e subtrair, multiplicar e dividir, coisa que metade não sabe fazer e vai sair da escola sem saber. E vai continuar a estudar e a tirar cursos e depois vai trabalhar! pôrra!

 

 

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publicado às 17:24

A escola acabou.

Chego à portaria e há duas miúdas em pranto, soluços arrancados do peito.

Olho lá para dentro e vejo uma gr., carregada com trabalhos feitos ao longo do ano, a vir lavada em lágrimas. Até o cabelo ela tem molhado.

É o último dia de aulas.

Eu chorava de alegria, saltava e dançava, feliz da vida pela liberdade que ia ter nos meses seguintes.

Estas miúdas choram de tristeza porque "só voltamos a ver-nos no próximo ano e vamos ficar sem ver a professorinha". 

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publicado às 18:15

recuso-me

por blogdocaixote, em 14.03.18

"Fizemos teste único, não tive nem ciências nem educação física, não nos avisaram. Podia não ter levado equipamento.... "

"Teste único?"

"Sim, todos os quintos anos fizeram o teste igual, à mesma hora."

 

Passei o último ano do curso e o estágio de forma intensiva a ouvir "o aluno é o centro, temos de nos adaptar ao aluno, temos de chegar ao aluno". Passei esses dois anos a levar com as teorias dos diferentes estilos de aprendizagem, a levar na cabeça todos os dias porque "não chegaste ao aluno, estas fichas não têm exercícios para os aprendentes cinestésicos..." 

E agora, anda esta malta a fazer testes iguais para todos, em nome de umas supostas objetividade e justiça.

Até para as minhas diferentes turmas tenho dificuldade em fazer testes iguais, porque elas são diferentes, têm ritmos diferentes, aprendem de forma diferente, logo a minha abordagem dos mesmos conteúdos é diferente, como é que esta malta consegue fazer testes iguais, iguais? Como? Ninguém protesta? os colegas andam a dormir? 

Recuso-me! Eu sei o que estou a dar aos meus alunos, mais importante: eu sei como estou a dar. Aquele teste que aquele professor fez a pensar na turma dele não serve à minha ou aquele teste feito em modo retalho, com uns exercícos daquele professor e outros exercícios de outro não passa disso, uma manta de retalhos.

Recuso-me. E faz-me urticária que as minhas miúdas andem a ser sujeitas a esta merda desta pedagogia da treta, ainda mais quando a palavra "flexibilização" anda por aí nas bocas de tudo o que é diretor. Parece que andamos sempre a brincar ao ensino, foda-se! 

 

 

 

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publicado às 19:40


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