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Mais um caixote para atirar para lá a tralha que anda para aqui perdida.
Acho que tínhamos de viver lá, naquela realidade, lá, para percebermos porque é que mais de metade da população votou num indivíduo que representa e afirma à boca cheia tudo aquilo que há de mais desprezível no ser humano.
Provavelmente é isso, teríamos de lá estar... e lá viver...
Ou já ter lá estado e vivido e nascido, pois se até quem está cá, em Portugal, votou nele...
Não vou começar a comer margarina nem usar aquele detergente só porque me aliciam com um gajo todo bom. A exploração sexual, seja feminina, seja masculina, que agora anda aí a bombar, como se as mulheres estivessem todas submetidas a um período de cio, para mim não funciona e custa-me acreditar que funcione para as outras mulheres.
Se já me era difícil ver quase tudo o que é produto ser vendido através da exploração do corpo da mulher, mais me custa esta nova onda inversa. Onde é que há aqui mostras de reconhecimento de igualdade entre géneros? Não é esta igualdade que me interessa.
Vou continuar a comer manteiga e a usar o detergente escolha acertada da proteste.
Eu também posso fechar escolas!
Posso fechar a escola da Gr.
Onde já se viu ela ser incluída numa turma com meninos do 2º ano?? É inadmissível!
Posso fechar todas as escolas onde vou dar aulas.
Onde já se viu porem-me, como professora, a dar aulas a turmas com dois anos diferentes? É inadmissível!
Também posso escrever sobre aquilo dos contratos de associação?
Nos últimos vinte anos o estado financiou entidades privadas, principalmente na zona centro.
Durante estes anos, essas entidades privadas encheram o bolso de dinheiro à custa do estado e da exploração dos seus funcionários, docentes e não docentes. Encheram os bolsos porque nunca o estado se lembrou de fiscalizar a aplicação do dinheiro que saiu dos seus cofres.
Durante estes anos, roubaram alunos ao ensino público, publicitando ensino de qualidade e projetos pedagógicos mais interessantes, quando na realidade o que fazem é dar aos pais mais espaço de manobra para terem os filhos nas escolas durante o dia de trabalho, ocupados com atividades extra e grupos de apoio ao estudo, sempre às custas dos professores e funcionários.
Durante estes anos, os professores desses colégios foram aceitando as condições de trabalho que essas mesmas entidades oferecem sem nunca se oporem, trabalhando muito mais do que 40 horas semanais e ganhando cada vez menos.
Agora, que o estado decidiu atuar em parte do problema, devolver ao público os alunos que devem ser do público, os professores dos colégios são aqueles que, por nunca terem reclamado das situações em que trabalham, se irão lixar.
Quanto aos pais, não têm legitimidade para reclamar sobre direito de escolha se se partir do princípio de que somos todos a pagar. Eu também gostava de poder escolher outro médico de família, mas não posso. Tenho o direito de ir ao privado e pagar e esse direito ninguém me tira.
Espero que o governo não recue na decisão, apesar de ter um marido a trabalhar no setor em causa, espero que o governo não ceda às pressões da oposição, que tem na agenda privatizar todo o sistema escolar e já agora o da saúde também.
Quanto ao meu marido, quando as condições de trabalho que lhe ofereciam começaram a descambar, tomou uma posição: a de se bater pelos seus direitos e não permitir que lhe tirassem a dignidade. E eu tenho uma porrada de orgulho nessa postura, que só revela a espinha dorsal que o gajo possui.
Ontem à noite fui vendo bocados do filme Walesa, sobre Lech Walesa.
Dou por mim a ver as coisas pela perspetiva da esposa, Danuta, que durante 30 anos esteve ao lado do marido e ainda lhe deu 8 filhos.
Dele, está a internet cheia de informação, nas mais variadas línguas. Dela, só em polaco. Não deixa de ler lamentável.
Outra vez arroz:
expliquem lá a estes tipos que estão a vender botas alentejanas a preços proibitivos e que é inadmissível que, usando materiais portugueses, deem aos produtos que fabricam nomes estrangeiros. É calçado português! amaricado e produzido para os bolsos do amaricano, mas é português, pôrra!
(Isto tudo porque hoje vi uma mãezinha com um par, à porta da escola da Mr. Volto a questionar a capacidade de gestão financeira aqui em casa)
... olá, Mano.
Vamos ver durante quantos meses.
Se o Costa ganhar, amanhã é feriado?
Ah, espera... eu amanhã não trabalho... graças ao Passos, que achava que tínhamos de trabalhar mais, graças ao PS que trouxe para cá a troika e nos deixou na penúria.
eu amo você!
Recebi hoje o cheque que cobre o valor das sapatilhas que comprei, juntamente com uma carta a lamentar o sucedido.
Já disse que gosto do lidl?
Dei ao Lidl uma semana para entrar em contacto comigo. Ontem ainda não o tinham feito, hoje fui à loja.
"Ainda bem que veio, íamos ligar-lhe, há um problema."
Vai lá dentro e traz-me a fatura das sapatilhas, com a data de compra sublinhada a marcador amarelo. 5 / 2 / 2015.
"Há aqui um engano, a fatura vem com esta data."
Saio do lidl, saco do telemóvel e ligo para a loja onde comprei as sapatilhas. "É assim que as nossas datas saem, minha senhora (gosto tanto quando me chamam minha senhora, tem assim um certo ar de jenececuá), está certo. Ainda que lhe enviássemos outra fatura, seria igual. O Lidl que ligue para cá, que nós confirmamos, se for preciso."
Regresso ao lidl e comunico aquilo que acabei de ouvir. "Está bem pronto, ainda bem, é que achámos muito estranho, nem nos passou pela cabeça que pudesse estar ao contrário."
"Pois..."
"Então aguarde uma semanita, semana e meia e o processo fica encerrado, reembolsam-lhe as sapatilhas."
Suspiro, de forma muito audível. Sorrio e pergunto: "as sapatilhas velhas? Vão ficar com elas? Eu gostava de a ter de volta, foi o meu marido que mas deu no natal."
"Então eu vou dar essa indicação, para ver se eles depois as podem mandar vir para cá outra vez."
Suspiro outra vez, sorrio, agradeço e vou buscar pão fresco.
Eu gosto do Lidl (até ver...)
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