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para memória futura (natal, 2021)

por blogdocaixote, em 09.01.22

Este ano letivo terminámos as aulas a 22 de dezembro (por estarmos em semestres). No dia 23 fomos para o norte. Arrumámos malas e malotes, enchemos o carro e saímos.

Tivemos tempo para ir dar umas prenditas e por volta das seis da tarde já trocávamos os bs pelos vs.

O Natal foi passado na casa da avó paterna, com o costumeiro bacalhau cozido com batatas e o cabrito assado.

No dia 26 fizemos outro natal com os tios e a sobrinha. No dia seguinte, fomos em excursão a Braga, comer aquela que dizem ser a melhor francesinha. 

No dia 29 deixei marido e miúdas e rumei às beiras, com os meus pais. Li muito, dei umas voltas a pé, aqueci os pés à lareira. 

A sobrinha apareceu para passar a noite de 31 de dezembro para 1 de janeiro. No primeiro dia do novo ano apanhámos o comboio na estação de Belmonte e fomos até à Guarda. Este pedaço de linha, que esteve desativado durante uns anos valentes, voltou ao ativo no verão e vale a pena. 

Em casa, com a sobrinha, não houve tempo para aborrecimento.

As miúdas e o pai juntaram-se a nós no dia 2. Foi um regabofe de brincadeira entre primas.

Passámos a semana de contenção de contactos por lá. Demos um salto à serra.

Entre trabalhos de casa que não tinham sido feitos, jogos e brincadeiras, delas, trabalhos de formação meus, passou-se a semana. 

Amanhã regressamos à escola e, pela sondagem que fiz, está tudo sem vontade. 

Deve ser desta porcaria de momento em que vivemos, cheio de virus e medidas de contenção. 

Vamos esperar que, entretanto, o tempo nos dê algum ânimo. 

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publicado às 18:06

O poder da castanha

por blogdocaixote, em 12.11.21

Ontem, algumas castanhas vindas de um dos domicílios de algum querido aluno ou aluna explodiram-me na cara/ máscara, cabelo, óculos, roupa, etc. 

Esta explosão não me impediu de ter um ataque de riso. No entanto, se apanhasse o puto que trouxe as castanhas por golpear era bem capaz de o golpear eu com um belo pontapé no rabo.

À noite, para não deixar passar em branco o São Martinho, estávamos sentados à mesa, às 22.00, que também não quis não ir à minha ginástica. Escrevia eu, eram dez horas da noite e estávamos à mesa. Os adultos acompanhados de um copo de tinto, as miúdas água (sem pé). Foram os momentos altos da semana.  

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publicado às 08:41

é tão bonita, a avaliação formativa

por blogdocaixote, em 06.11.21

Aproximam-se as avaliações intermédias ou intercalares. Diz que tenho que fazer uma síntese de cada aluno, para conhecimento dos encarregados de educação. 

Eu gostava de ser capaz de dizer aos mesmos o que o seu educando é capaz ou não de fazer, em que é que precisa de ajuda e como é que tenciono ajudá-lo a superar as suas dificuldades. No entanto, eu não faço puto de ideia. Nesta altura do ano, fruto de turmas mistas maradas, há putos cujo nome ainda desconheço. Olho para as caras deles chapadas nas fotografias, mas a figura não me diz nada. Noutros casos, chego à brilhante conclusão de que nunca vi nada feito pela criatura, nunca ouvi a sua voz, sequer. 

O problema é meu, claro. Mas como hei-de conhecer todos e saber do que são capazes ou não, se passo os primeiros 10 minutos à espera que se acalmem, os seguintes 10 minutos à espera que o material esteja pronto. Toma! já se foram 20 minutos de aula. Quando consigo começar a trabalhar, tenho de jogar com dois sets de materiais diferentes, dois quadros, muitas vezes, e alunos que são incapazes de trabalhar autonomamente. Conheço já muito bem estes, os que me solicitam. Os outros, coitados, ficam para a semente ou para a professora titular que está comigo em sala e sem a qual eu estaria ainda mais lixada. 

Posso simplesmente escrever "nem sei quem é o seu educando. Espere mais um mesito, se faz favor. E entretanto, solicite à direção o fim de turmas mistas."

 

 

 

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publicado às 18:38

crazy

por blogdocaixote, em 28.10.21

Só em meados de junho mandei a roupa de inverno para as devidas caixas, só aí me livrei do edredon e das mantas no sofá.

Nestes dias, as minhas gavetas estão ainda cheias de t-shirts e manguinhas cavas.

Quando saio do banho, de manhã,  já não sei que vestir.

Vou usando camadas, começando pelas tais manguinhas cavas e acabando num casaco kimono de malha. Por volta das 10 da manhã tiro o casaco, ao meio-dia a camisa de manga comprida, ficando de bracinho à mostra. Às quatro e pouco volto à camisa e meia-hora depois já tenho o casaco vestido outra vez. 

As miúdas andam roucas e queixosas da garganta há umas três semanas. 

No quadro, nas salas de aula, escrevo the weather is sunny ou cloudy, mas na minha cabeça a descrição que mais se acomoda ao tempo que vivemos é "crazy".

Mais crazy ainda após o chumbo do orçamento e umas supostas legislativas antecipadas. 

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publicado às 17:46

diário

por blogdocaixote, em 24.09.21

Abro a porta da cozinha e a gata mia. Preparo as coisas para o pequeno-almoço, nem sei se posso chamar-lhe assim, pequeno-almoço, se elas não comem quase nada.

Elas chegam, ensonadas e rabujas. Metem à boca pedacinhos de torradas e bebem chá ou cevada. Parece que o leite as enjoa durante o ano letivo, para passar a saber bem apenas nas férias. 

Depois, preparo os lanches para a escola. A gata ronda os nossos pés e os pés da mesa, em miados agudos de quem não come há semanas, mas tem o seu prato cheio. A culpa é de quem lhe dá pedacinhos amarfanhados de fiambre.

Despacho-as da cozinha com o cheiro das torradas com manteiga entranhado nas mãos. O que vale é que é um cheiro bom. 

Rabujas, as minhas filhas preparam-se para ir para a escola. Eu preparo-me no que falta preparar. 

Saímos. A geografia inicial mantém-se a mesma há vários anos. Depois, sigo viagem nos caminhos novos que trilho todos os anos. Invariavelmente cheios de curvas. Este ano, mais curtos. Já não era sem tempo! 

 

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publicado às 13:34

a primeira semana do "ano"

por blogdocaixote, em 22.09.21

Entro às 9.00.

Às 10.00 saio e venho a casa ou vou à escola sede, se precisar de alguma coisa de lá. Também posso simplesmente assentar arraiais num café fazer horas até à aula seguinte, que começa às 11.00. 

A manhã termina às 12h. Venho para casa e faço "cenas". Se as aulas seguirem pela tarde, recomeço às 13.30 e às 15.30 termino. No máximo dos máximos em meia-hora estou de volta a casa.

São as mesmas horas letivas do ano que passou e parece que são muitas menos. 

Nas tardes em que elas têm atividades ou aulas de instrumento é que a porca torce o rabo: inicio os serviços de leva e traz, traz e leva e chego à noite mais morta que viva.

Esta é a primeira semana do ano letivo, aquela que tem pilhas daquela marca que dura e dura e dura! 

 

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publicado às 20:58

"vão vir dias bons" (escreveu alguém)

por blogdocaixote, em 02.09.21

não sei se serão bons

diferentes com toda a certeza, colocada pertinho de casa, a frequentar locais que já me são familiares noutros contextos

venha de lá esse ano letivo 2021-22

 

P.S1. hoje já fui a Mafra, tratar de outros quinhentos.

P.S2. aquele código que colocamos no fim, por descargo de consciência? nunca, se só significar merda ficar lá colocado. Estamos sempre a aprender!

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publicado às 18:55

fim de ano letivo

por blogdocaixote, em 11.07.21

Tudo atrasado...

vai ser aquele aperto no peito até finais de agosto... aquele não saber o que sai na lotaria até às vésperas de começar a trabalhar, se a lotaria nos sair e se a lotaria não for uma bela merda e ainda assim ficar agradecida por sair alguma coisa.

 

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publicado às 11:57

inversões

por blogdocaixote, em 11.05.21

A disciplina na sala de aula ou a falta dela é um tema constante entre nós, professores. Vinha a pensar nisso (aliás, penso muito nisso) no outro dia numa das minhas viagens entre escolas. Vinha a pensar que, em certas turmas, tenho muitos problemas de disciplina e, claro, na minha cabeça o problema sou eu, que não sei impô-la ou não sei dar aulas de forma a que não seja necessário impô-la. Tive uma orientadora de estágio, da faculdade, que me deixou com a seguinte ideia (que me traumatizou, mas que na minha opinião é uma ideia errada): se o professor for bom, não há lugar à indisciplina, porque o bom professor cria e planifica aulas motivadoras, onde não há espaço para indisciplina. Durante anos esta ideia deu cabo de mim como professora e ainda dá. Todos os dias tenho de me olhar ao espelho e fazer o exercício mental de a desfazer para conseguir ir trabalhar, mas todos os dias me penitencio por não trabalhar mais.

Vinha a remoer esse pensamento, o de que tenho de trabalhar mais, mas depois inverti a coisa: eu não trabalho mais porque quando acaba o meu trabalho na escola eu venho trabalhar na minha casa - dar atenção às filhas e ao marido e à casa em si, o espaço onde moramos. E pensei que se todos nós fizessemos isso (dar mais atenção às nossas pessoas), depois, nas salas de aula, o professor não teria de passar tanto tempo a lidar com indisciplina, porque o básico já tinha sido passado em casa. 

Portanto, está tudo invertido. Investimos nos locais errados e nas pessoas erradas, queremos fazer (olhó cliché) casas a começar pelos telhados, sem pensar nos alicerces. 

 

 

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publicado às 11:48

she's craaazyyyyy!

por blogdocaixote, em 16.03.21

Voltei, voltei, voltei à escola. Ainda agora estava em casa e agora já estou lá! (ao som de Dino Meira)

Os putos, aparentemente, na boa. Como se não tivéssemos ficado em casa sete semanas, como se ainda na sexta-feira passada lá tivessem estado.

Fizemos teste de compreensão oral (que bruta! os putos ainda todos remelosos de sete semanas em casa e mandas logo com teste!). Os do 3º tinham de pintar os animais da quinta.

Eu avisei logo, com olhos bem abertos, que era uma "crazy farm", mas eles acharam muito estranho que a cow fosse red. Olhavam para mim, com o lápis de cor vermelho na mão, ar espantado e hesitante. Oh titcher, oh titcher! a sério? E nenhum queria começar a pintar a cow de red.

"Come on, it's a crazy farm! start colouring, 'cause next comes the chicken and my chicken is blue!"

A titcher é maluca! ele não disseram, mas vi nos olhinhos deles que acham a professora de inglês maluca. 

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publicado às 18:59


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