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diário

por blogdocaixote, em 24.09.21

Abro a porta da cozinha e a gata mia. Preparo as coisas para o pequeno-almoço, nem sei se posso chamar-lhe assim, pequeno-almoço, se elas não comem quase nada.

Elas chegam, ensonadas e rabujas. Metem à boca pedacinhos de torradas e bebem chá ou cevada. Parece que o leite as enjoa durante o ano letivo, para passar a saber bem apenas nas férias. 

Depois, preparo os lanches para a escola. A gata ronda os nossos pés e os pés da mesa, em miados agudos de quem não come há semanas, mas tem o seu prato cheio. A culpa é de quem lhe dá pedacinhos amarfanhados de fiambre.

Despacho-as da cozinha com o cheiro das torradas com manteiga entranhado nas mãos. O que vale é que é um cheiro bom. 

Rabujas, as minhas filhas preparam-se para ir para a escola. Eu preparo-me no que falta preparar. 

Saímos. A geografia inicial mantém-se a mesma há vários anos. Depois, sigo viagem nos caminhos novos que trilho todos os anos. Invariavelmente cheios de curvas. Este ano, mais curtos. Já não era sem tempo! 

 

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publicado às 13:34

a primeira semana do "ano"

por blogdocaixote, em 22.09.21

Entro às 9.00.

Às 10.00 saio e venho a casa ou vou à escola sede, se precisar de alguma coisa de lá. Também posso simplesmente assentar arraiais num café fazer horas até à aula seguinte, que começa às 11.00. 

A manhã termina às 12h. Venho para casa e faço "cenas". Se as aulas seguirem pela tarde, recomeço às 13.30 e às 15.30 termino. No máximo dos máximos em meia-hora estou de volta a casa.

São as mesmas horas letivas do ano que passou e parece que são muitas menos. 

Nas tardes em que elas têm atividades ou aulas de instrumento é que a porca torce o rabo: inicio os serviços de leva e traz, traz e leva e chego à noite mais morta que viva.

Esta é a primeira semana do ano letivo, aquela que tem pilhas daquela marca que dura e dura e dura! 

 

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publicado às 20:58

"vão vir dias bons" (escreveu alguém)

por blogdocaixote, em 02.09.21

não sei se serão bons

diferentes com toda a certeza, colocada pertinho de casa, a frequentar locais que já me são familiares noutros contextos

venha de lá esse ano letivo 2021-22

 

P.S1. hoje já fui a Mafra, tratar de outros quinhentos.

P.S2. aquele código que colocamos no fim, por descargo de consciência? nunca, se só significar merda ficar lá colocado. Estamos sempre a aprender!

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publicado às 18:55

fim de ano letivo

por blogdocaixote, em 11.07.21

Tudo atrasado...

vai ser aquele aperto no peito até finais de agosto... aquele não saber o que sai na lotaria até às vésperas de começar a trabalhar, se a lotaria nos sair e se a lotaria não for uma bela merda e ainda assim ficar agradecida por sair alguma coisa.

 

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publicado às 11:57

inversões

por blogdocaixote, em 11.05.21

A disciplina na sala de aula ou a falta dela é um tema constante entre nós, professores. Vinha a pensar nisso (aliás, penso muito nisso) no outro dia numa das minhas viagens entre escolas. Vinha a pensar que, em certas turmas, tenho muitos problemas de disciplina e, claro, na minha cabeça o problema sou eu, que não sei impô-la ou não sei dar aulas de forma a que não seja necessário impô-la. Tive uma orientadora de estágio, da faculdade, que me deixou com a seguinte ideia (que me traumatizou, mas que na minha opinião é uma ideia errada): se o professor for bom, não há lugar à indisciplina, porque o bom professor cria e planifica aulas motivadoras, onde não há espaço para indisciplina. Durante anos esta ideia deu cabo de mim como professora e ainda dá. Todos os dias tenho de me olhar ao espelho e fazer o exercício mental de a desfazer para conseguir ir trabalhar, mas todos os dias me penitencio por não trabalhar mais.

Vinha a remoer esse pensamento, o de que tenho de trabalhar mais, mas depois inverti a coisa: eu não trabalho mais porque quando acaba o meu trabalho na escola eu venho trabalhar na minha casa - dar atenção às filhas e ao marido e à casa em si, o espaço onde moramos. E pensei que se todos nós fizessemos isso (dar mais atenção às nossas pessoas), depois, nas salas de aula, o professor não teria de passar tanto tempo a lidar com indisciplina, porque o básico já tinha sido passado em casa. 

Portanto, está tudo invertido. Investimos nos locais errados e nas pessoas erradas, queremos fazer (olhó cliché) casas a começar pelos telhados, sem pensar nos alicerces. 

 

 

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publicado às 11:48

she's craaazyyyyy!

por blogdocaixote, em 16.03.21

Voltei, voltei, voltei à escola. Ainda agora estava em casa e agora já estou lá! (ao som de Dino Meira)

Os putos, aparentemente, na boa. Como se não tivéssemos ficado em casa sete semanas, como se ainda na sexta-feira passada lá tivessem estado.

Fizemos teste de compreensão oral (que bruta! os putos ainda todos remelosos de sete semanas em casa e mandas logo com teste!). Os do 3º tinham de pintar os animais da quinta.

Eu avisei logo, com olhos bem abertos, que era uma "crazy farm", mas eles acharam muito estranho que a cow fosse red. Olhavam para mim, com o lápis de cor vermelho na mão, ar espantado e hesitante. Oh titcher, oh titcher! a sério? E nenhum queria começar a pintar a cow de red.

"Come on, it's a crazy farm! start colouring, 'cause next comes the chicken and my chicken is blue!"

A titcher é maluca! ele não disseram, mas vi nos olhinhos deles que acham a professora de inglês maluca. 

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publicado às 18:59

ontem e hoje

por blogdocaixote, em 13.03.21

Há um ano, confinava. Mesmo a tempo de comprar a prenda de anos da Gr.

Há um ano, fechava tudo e os arco-íris faziam parelha com o covid, dois vírus a dar-me cabo do sistema nervoso.

Há um ano disse: para o ano já vais ter festa de anos, vais ver.

Agora, neste março de 2021, eles continuam confinados, mas eu volto à vida. 

Não há festa de anos com amigos, os arco-íris foram à vida e lá vou eu voltar às máscaras e ao gel. 

Eles em casa, eu no carro, nas viagens diárias para o intestino delgado de judas.

 

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publicado às 19:36

ensino à distância 2.0

por blogdocaixote, em 13.02.21

Sobrevivemos à primeira semana de escola em casa.

Quatro salas de aulas online, três espaços de trabalho, três computadores alternando com telemóveis sempre que necessário, manuais da mais nova, que é uma desorganizada, espalhados por todos os cantos, mas chegamos à sexta-feira à noite e tenho todos os planos de trabalho mais materiais agendados.

Está mais fácil por uma lado, mas mais difícil por outro. Mais fácil porque a máquina está mais ou menos oleada, não me preocupo com o que o super colega de trabalho faz (os vídeos, as apresentações, os googleforms e o c@r@.... ), faço o que posso, com o tempo que posso e seja o que for. Apanhei uma turma que no ano passado foi do super colega e, ao contrário do que pensava, os miúdos não sabem nada, nem falar, nem escrever o básico. Portanto é assumir que nem ando a fazer um trabalho mau. Há sempre vinho às refeições e um episódio de uma série qualquer para me levar bem disposta (relativamente) para a cama.

Por outro, mais difícil porque estamos cansados, porque chove e está frio, porque o céu cinzento é deprimente. Porque não podemos estar com ninguém excetuando nós os quatro, todos os dias, mais uma vez. Porque não vemos o fim à vista.

Num destes jantares comparei estes dois confinamentos a um parto de uma criança, à forma como uma mãe lida com a primeira vez que dá à luz, e depois como lida com a segunda vez. No primeiro confinamento não sabíamos o que nos esperava, tal como uma mãe que nunca pariu. Vai-se mais ou menos na boa, na expetativa de que vai correr bem, por isso ainda acreditávamos nos arco-íris. No segundo filho sabemos ao que vamos, já não há arco-íris para ninguém. Queremos é que acabe e pronto, mas esta merda nunca mais acaba e quando é que o bebé nasce, pôrra, tirem-no daqui, depressa, acabem logo com isto, dasse! 

 

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publicado às 15:19

ai o ensino à distância, ai....

por blogdocaixote, em 05.02.21

recebi os horários das miúdas

ficou provado que a pandemia deu cabo do resto de bom-senso e inteligência da malta...

o marco disse que eu tenho de levar as coisas com mais calma se não sic "vais dar um ataque cardíaco a ti mesma", mas eu preciso de berrar, car"#"#&%!! elas vão estar online desde as 9 da manhã, às vezes 8.30 até às 17.30, praticamente todos os dias!

Tudo porque um idiota de um secretário de estado da educação disse algures numa reunião que o horário online devia equivaler, NO MÍNIMO, a 70% do horário presencial.

pronto, o secretário de estado disse, faça-se pois, claro! vamos lá professores! vamos todos estar online como estávamos em sala. Vamos lá! 

1,2,3 partida! 

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publicado às 16:17

floating piece of shit

por blogdocaixote, em 19.01.21

A verdade é que, desde o início do ano letivo, sinto um peso muito grande por ir trabalhar. 

Ontem, assim que cheguei à segunda escola onde dou aulas, as colegas dizem-me que uma turma tinha sido mandada para casa pela direção porque um aluno tinha testado positivo e que estavam a a guardar comunicação da DGS, mais precisamente do delegado de saúde.

Fiquei logo mal disposta e preocupada. Tinha estado com a turma na semana passada e, se não fossem as colegas, não saberia de nada.

Durante a tarde, o coordenador de escola foi à sala de aulas da turma comunicar-me oficialmente que a turma e respetiva professora titular iam ficar em isolamento profilático até dia 1 de fevereiro. E eu? eu, que estive com a turma? eu?

"Tu não és nada, tu és carne para canhão, tenho pena de ti... liga para a direção e informa-os de que também deste aulas à turma."

Escusado será dizer que me senti uma pedaço de merda, mais ainda quando, depois de ligar para a direção, lavarem as mãos e me dizerem para ser eu a contactar a saúde 24.

Vontade de trabalhar? zero! Vontade de mandar tudo à merda? ui... 

Mantenham-se as escolas abertas, excluam-se das comunicações aos serviços competentes elos de contágio e vamos ver se as medidas destas semanas fazem algum efeito. O caraças é que fazem. 

 

 

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publicado às 14:49


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