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dança

por blogdocaixote, em 13.12.18

Vieste de mansinho e dançaste comigo o last christmas

fizeste-me entrar no natal

pela porta grande

obrigada

 

dançámos juntas enquanto eu me vestia para ir para a ginástica

fazemos isso muitas vezes e eu gosto tanto

 

que a nossa vida seja sempre uma dança

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publicado às 11:50

o milagre de falar

por blogdocaixote, em 04.12.18

Ontem, vinha a ouvir uma entrevista à Nelida Piñon e ela disse uma cena extraordinária, ou melhor, recordou uma coisa extraordinária que a mãe lhe tinha dito aos sete anos de idade: que ela, a miúda Nélida, era um ser muito inteligente, mas que não sabia falar. A miúda Nélida ficou a pensar naquilo, sem compreender exatamente o que a mãe queria dizer.

Então, a mãe explicou-lhe que o ato de falar era um milagre e que ela, a miúda, deveria lembrar-se disso de todas as vezes que quisesse fazer uso da capacidade de falar. Que falar sem ter a certeza de que se é compreendido é não saber fazer uso do milagre de usar a palavra. 

E eu fiquei a pensar nisso. Porque não sei se alguma vez terei dito ou sequer se terei a sabedoria de dizer algo tão simples e tão verdadeiro a qualquer uma das minhas filhas. 

 

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publicado às 14:06

raios de sol

por blogdocaixote, em 14.11.18

A senhora à minha frente na caixa perguntou se eu queria os pontos dela. Eu agradeci e disse que não, que já não tinha tempo de colecionar suficientes para comprar outro legume. A senhora então disse que tinha muitos pontos no carro. Saiu com as suas compras e voltou com um montinho de papelinhos dourados, que foi contando até perfazer 15, o número de pontos necessários para outro legume. 

A Gr. estava delirante e eu também, porque tenho, vezes de mais, a impressão de que a humanidade está perdida para a falta de civismo e de empatia, de simpatia, mas depois há assim uns raios de sol (não que sejam raios de sol capazes de mudar o mundo, mas vá, capazes de me fazer acordar com algum otimismo). 

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publicado às 10:34

Endofalk e Dumbledore

por blogdocaixote, em 12.11.18

Eu era o Dumbledore, num sofrimento excruciante, a despejar a bacia daquela poção amaldiçoada, para chegar ao horcrux. 

Eu era o Dumbledore a engolir aquela mistela, só que a mistela não era uma poção amaldiçoada e objetivo não era encontrar o horcrux. 

Fui bebendo litro atrás de litro e colocando a possibilidade de não fazer exames nenhuns, afinal eu não tinha nada, quase de certeza, para que é que eu estava a sujeitar-me àquilo, já chega, por favor, mais não, mas isto cresce no copo em vez de diminuir, juro que há bocado parecia menos, isto cresceu, mas e se tenho uma pocaria qualquer a crescer-me aqui no corpo e depois não sei, bebe mais, anda, um bocado mais, já chega.

E bebi quase tudo, juro, no último litro vomitei, se fosse o Dumbledore, coitado, lá se ia o horcrux, lá se ia a possibilidade de destruir o Voldemort, mas eu não sou o Dumbledore e bebi quase tudo e fui fazer o exame na mesma. E não tenho nada, ainda bem.

 

 

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publicado às 22:56

o caminho faz-se caminhando

por blogdocaixote, em 09.11.18

Sou pessoa ansiosa, nervosa, com tendência para alguma dramatização, respiro e inspiro muito com o único resultado de ficar com excesso de ar nos pulmões, e, às vezes, tonta de tanta oxigenação cerebral.

Ando sempre a correr, com medo de chegar atrasada a todo o lado, ainda que seja só ali ao virar da esquina.

Começo as manhãs a correr e acabo os dias a correr. Contagio quem está à minha volta e todos os anos, ao virar dos aniversários,  e dos anos letivos e das passagens de ano, prometo que vou correr menos, que vou correr menos, mas quando dou por mim, cinco segundos depois, já estou a correr, se não com as pernas, com o cérebro. E contagio toda a gente em meu redor. Marido e filhas, a toque de caixa, gata a toque de caixa, tudo a toque de caixa. E ando cansada, mesmo com horário de trabalho pequenino, dou por mim a desejar, todos os dias, a hora em que me vou deitar. E essa hora tem chegado cada vez mais cedo. Lá pelas 22.30 os lençóis já me cheiram o cabelo e sentem os pés frios.

 

Mas, devagar, devagarinho, as inspirações oxigenantes, os dedos em posição de ohmmmmm, vão-me levando a alguma acalmia. 

Já não corro todas as manhãs, só algumas, e já sou capaz de sorrir perante a lesmice das minhas filhas, sou até capaz de não ficar zangada e dizer até logo meu amor com um sorriso verdadeiro e não de alguém que passou a última hora a berrar, porque de facto, berrei menos.

Devagar, vou correndo menos. Pode ser que lá para os oitenta deixe mesmo de correr. 

 

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publicado às 16:59

Brasil e Bolsonaro

por blogdocaixote, em 29.10.18

Acho que tínhamos de viver lá, naquela realidade, lá, para percebermos porque é que mais de metade da população votou num indivíduo que representa e afirma à boca cheia tudo aquilo que há de mais desprezível no ser humano.

Provavelmente é isso, teríamos de lá estar... e lá viver...

Ou já ter lá estado e vivido e nascido, pois se até quem está cá, em Portugal, votou nele...

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publicado às 10:30

é... conversas desta vida...

por blogdocaixote, em 28.10.18

ela - "Vocês não choram com a músicas do ed sheeran?"

eu -  "não...."

ela - "nós choramos, fazem-nos lembrar coisas tristes e a morte da minha bisavó."

eu - "......."

ela - "eu cheguei lá, ela disse-me olá e morreu."

 

 

eu- "podia ter-te dito adeus." Disse eu...

 

podia ter pensado só, só pensado 

mas eu disse mesmo podia ter-te dito adeus

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publicado às 17:26

doença ou PDI?

por blogdocaixote, em 18.10.18

Dói-me o cotovelo. A sério, dor real, não daquelas dores fruto de andar pelos instagrams de malta que anda em luas de mel ou a comer comida que custa o meu salário.

Dói-me a sério porque há pouco, enquanto vestia o casaco, mandei uma cotovelada valente na ombreira da porta.

Depois, enquanto metia o porta moedas na carteira, mandei com a mão, com os dedinhos todos, noutra ombreira.

Ainda há cinco minutos, estando de vigia à chegada da carrinha dos CTT expresso, abri uma nesga da porta da varanda e meti lá a cabeça. Só que a nesga era pequena de mais e mandei com os óculos no vidro. Agora, estes óculos, que são relativamente novos, já estão tortos, porque esta não foi a primeira traulitada que dei com eles. 

Aqui há uns dias, fechei a porta do jipe, mas esqueci-me de tirar a cabeça do meio, portanto, mandei com a porta a mim mesma.

Uns dias antes, fechei a porta do armário das chávenas, mas também me esqueci de afastar a cabeça, a porta fechou-se levando consigo umas quantas células e tecido da pele da minha cara.

Terei algum tumor cerebral ou a idade dá para estas merdas?

 

 

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publicado às 13:20

ontem, hoje e amanhã (hei)

por blogdocaixote, em 17.10.18

Com cinco seis anos eu ia à mercearia uns metros abaixo de casa, murmurando a lista de compras, invariavelmente pequenina:

"seis papo secos, seis papo secos, seis papo secos...."

Brincávamos, em magotes, ou sozinhos, ao longo da vila. Com frequência, eu descia até lá abaixo, pertinho do campo de futebol e ia brincar com a margarida maria alacoque, que é a santa que deus nos envia para dar o sinal dar o toque, margarida maria alacoque. A margarida, ou guida para os amigos e família, odiava esta lengalenga que o meu pai fazia questão de dizer de todas as vezes que a via, mas tal não a impedia de brincar comigo. Às tantas de noite, quando achava que seria hora de jantar, porque também em casa da guida se punha a mesa, lá voltava eu para casa.

Brincava com o meno, no bairro, perto da casa do carrola, brincava na encosta do castelo, muitas vezes sozinha.

Ia para escola e voltava, sempre sozinha ou com o bruno, o meu amigo inseparável, que no fim da primeira classe se mudou porque o pai era bancário e foi ser gerente noutro sítio.

Ia à catequese sozinha e voltava sozinha.

Em baltar assim continuou. Íamos e vinhamos, sozinhos, das brincadeiras, das tarefas diárias...

Hoje, não deixo as minhas flhas irem a lado nenhum.

Mas a coisa vai mudar. Já é tempo! De pequenino se torce o pepino. 

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publicado às 12:48

A Sensinha

por blogdocaixote, em 08.10.18

Eu não sei o nome da Sensinha, sei que é a Sensinha porque é assim que todos se referem à velhinha de metro e quarenta que anda para baixo e para cima, com as mercearias da família.

A Sensinha não falha um ensaio de teatro. Se falha, sabemos que está doente.

A Sensinha é a primeira a decorar as suas falas e as suas deixas e nunca as falha, ainda que a dentadura lhe salte com o nervosismo. Deixa a canadiana que a ajuda a deslocar-se no dia a dia, e lá sobe ela ao palco, sejam muitas ou poucas as escadas. 

A Sensinha é a senhora que leva sempre uns pastéis de bacalhau ou um bolinho feitinho mesmo hoje de manhã, comam, comam que saiu do forno há bocadinho.

A Sensinha caiu do palco no sábado à noite, em Ermesinde e o "engraçado" é que todos vimos a queda em câmara lenta, o corpo pequenino da Sensinha a rebolar palco abaixo.

No domingo de manhã, a Sensinha chegou à hora marcada para partirmos para Guimarães, independentemente de ter o corpo cheio de mazelas da queda.

Deus dê muitos anos de vida à Sensinha. 

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publicado às 11:11


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